Gatinha, uma carreira precocemente encerrada

Aldir Meireles de Souza, o conhecido Gatinha, foi estudar em Cachoeiro de Itapemirim em 1948, por iniciativa dos seus pais. Em 1949, ingressou no infantil do Estrela do Norte F.C. sob o comando do lendário Sr. Zezinho. Em 1950, atuou pela Rua Moreira a convite do Sr. Batata, ex-jogador do Leopoldina F.C. e pai do famoso Jair Bala, o maior ídolo da história do América Mineiro. Ao final do mesmo ano foi jogar no juvenil do Cachoeiro F.C., na esquerda, junto de Wilson, onde Alcenir era o centro avante, atuando até 1953. Neste ano, inicialmente, Wilson e Alcenir foram promovidos ao time principal e, posteriormente, Gatinha. Foram campeões, ou melhor, tetracampeões. Na sua carreira, atuou nas categorias juvenil, amadora e principal do clube fidalgo, tendo como principais características a velocidade e o potente chute de canhota. Segundo ele, seus principais marcadores foram Fernando e Tia, este jogador do Estrela do Norte F.C., nosso maior rival. Tinha o Sr. Eurico
Monteiro de Castro como o seu melhor técnico, este inclusive, foi campeão estadual dirigindo o Cachoeiro F.C. no ano de 1948, conquistando o principal título da história do clube. Cita Alcenir como o jogador que ele mais admirou, por sua habilidade e rapidez na arte de fazer gols, um goleador nato. Em 1955, foi para o Rio de Janeiro, aos 17 anos, atuar pelo juvenil do Bangu A.C. Sua mãe adoeceu e acabou regressando antes do previsto.
Depois ao retornar ao Rio, no ano de 1957, foi atuar pelo América F.C. Jogou por um ano no aspirante, dividindo o campo com o cachoeirense, Ramos, Canário, e Romeiro, ambos da Seleção Brasileira e Ayrton que fez o meio de campo com Didi no Botafogo F.R. Com passagem pelo Cruzeiro E.C., de Belo Horizonte, após ser trocado pelo ponta direita,
Raimundinho, encontrou Elmo, ex-jogador do Castelo F.C. Na sua estreia contra o Atlético Mineiro, foi o autor do gol que deu a vitória ao clube celeste por 1 a 0, sob o comando do técnico Danilo Alvim. Depois de ter atuado por alguns jogos, se transferiu para o Rio Branco A.C. de Vitória, após o clube capixaba excursionar por Belo Horizonte. A transferência foi
motivada pelo fato de poder atuar com jogadores da Seleção Capixaba de 1956, seus velhos companheiros, além de assumir a titularidade, um dos seus maiores orgulhos. A estreia foi na cidade mineira de Itabira, marcando o segundo gol, o da vitória capa preta sobre o Valeriodoce. No Rio Branco A.C., foi campeão em 1958, quando o clube conquistou o tricampeonato estadual. No final do mesmo ano, por motivos pessoais abandonou o futebol precocemente, aos 22 anos, quando faltavam apenas quatro meses para encerrar o seu contrato. Retornando a Cachoeiro de Itapemirim, aceitou o convite do então presidente,
Oswaldo Secchin, o popular Vadéco, para atuar pelo seu clube do coração, tendo que reverter a categoria profissional para amadora. No Cachoeiro F.C., Gatinha apontou o meio campista Celso e o atacante Alcenir como sendo os seus mais expressivos jogadores.
Considerava Alcenir e Garrincha como os maiores que viu jogar, a nível estadual e nacional.
Os Senhores Gumercindo Moura Nunes (Guga) e Ary Figueiredo Medina foram os dois maiores dirigentes com quem trabalhou. Escalou o maior ataque da história do clube fidalgo dessa forma: Lili, Sararazinho, Alcenir, Wilson e ele próprio. Ataque super ofensivo, que jogava por música, tamanho era o seu entrosamento. Já a Seleção Capixaba escalou assim:
Adjalma, Pereira, Hélio, Goli, Celso (do Cachoeiro F.C.), Foca, Ramon, Alcino, Alcenir, Jurandir e Tom. No futebol, fez muitos amigos, sendo Amaro, campeão pelo América F.C. em 1960, um dos melhores. Nas suas idas ao Rio sempre se encontravam para almoçar.
Gatinha, além de torcedor e ex-jogador, também foi diretor do Cachoeiro F.C. Em diversos momentos da sua vida colaborou com o seu clube do coração fora dos gramados.
Texto:
Lucimar Fernandes Machado





