Um olho no passado e outro no futuro
Toninho Carlos

Cachoeiro de Itapemirim, 07/01/2025
Bons tempos aqueles. Domingo era dia de futebol, Campeonato Sulino, estádio lotado, Cachoeiro e Estrela. Rivalidade saudável entre as torcidas, algumas briguinhas, claro, mas chegava logo à turma do “deixa disso”, e a paz voltava a reinar. Em campo, “bola para o mato, porque o jogo é de campeonato”. Ainda garoto, assisti dois ou três clássicos da cidade de Cachoeiro.
Recordação mesmo eu tenho é de uma partida no estádio do Ouro Branco – hoje funciona o Supermercado Sempre Tem – entre Cachoeiro e Estrela, o clube fidalgo venceu por 1x0, gol de Zininho. Ah, como esquecer de outro Cachoeiro x Estrela, no estádio de Sumaré; não me lembro o placar, mas o Roque, um dos maiores que vi jogar fez um gol de falta. Que zagueiro, que domínio de bola, um craque.
Mesmo eu sendo ainda um garoto com meus 15, talvez 16 anos, tive que pagar a promessa feita ao Roque; um quilo de carne, isso mesmo, toda vez que ele fizesse um gol. Acho que foi nesse jogo que o goleiro do Cachoeiro foi fazer a reposição de bola com as mãos e jogou a bola contra suas redes. O jogo foi disputado a noite, com narração de José Américo Mignone, e o locutor ficava em cima de uma laje na entrada do estádio de Sumaré.
Cachoeiro e Estrela era um “caso à parte” na vida dos cachoeirenses. O Bar Vitória, era o palco de grandes apostas, negociações e vendas de bois e cavalos. E onde os “caras” endinheirados, a maioria fazendeiros, se reuniam para um café com leite, conhecido como “média”, e pão com manteiga. Dia de Cachoeiro e Estrela era dia de festa, bandas de músicas e muitas provocações. Mas eu nunca assisti, sequer, um clássico no saudoso estádio Moreira Rabelo.
Hoje, acompanho a distância, o movimento de abnegados torcedores querendo a volta do Cachoeiro. Eu também quero. E tem muita gente querendo, inclusive jovens influenciados pelos pais. O retorno do Cachoeiro às competições esportivas seria um benefício para o futebol de Cachoeiro e até o Estrela do Norte seria beneficiado. Sim, por que não? A rivalidade faz bem a uma sociedade organizada e ativa.
O Cachoeiro tem uma história que precisa ser resgatada, e está sendo, por esses entusiasmados torcedores. O que mais admiro nesse grupo, é que eles não tem pressa, eles têm planos, e é consenso entre eles de que “a casa precisa estar arrumada” para a volta do Cachoeiro. Um passo de cada vez. Isso prova o quanto essa gente está comprometida. Voltar por voltar, e depois voltar ao marco zero, melhor será ficar onde está.
Ainda tenho o sonho de assistir, em primeiro lugar, a volta do Cachoeiro, e depois me sentar na arquibancada e ver a bola rolar para Cachoeiro e Estrela. Pena que quando isso acontecer, não será mais como antes; jogadores perfilados, lado a lado, representando famílias de Cachoeiro e da Região. Os tempos são outros, e isso já não importa mais, o que torcemos é para o Cachoeiro voltar, e que seja breve!!!
Toninho Carlos - Jornalista